Sem reflexo, sem imagem, algo em branco. A sua verdade é a mentira que planejo ter, é mais doloroso do que a verdade que tenho a dizer e a mentira que tento transparecer.
Não consigo reviver o passado, mas também não planejo o futuro. Estou hipnotizada nesse presente que ando criando e recriando as histórias.
Não quero ser um livro a ser lido, nem apenas uma história contada. Quero ser algo que nem ao menos sei explicar, que esbarra numa barreira, horas de rosas, outras de espinho. Aquela que sangra quando há dor. Aquela que brilha onde há alegria. Sou balança, sou medida. Não sou capítulo, nem descoberta, não quero que imagine, quero vivenciar e permitir. Não quero o antes, muito menos o depois, não quero o ontem, muito menos o amanhã. Tenho medo do hoje.
Compartilhar é difícil, agora compreender é saber curtir o momento. Estado de alucinação, onde entro e saio, onde mudo e modifico. Adaptação é mais complicado quando não se quer ter. Camuflagem é o que precisa para manter-se. Mentira mal contada, verdade sincera. Penso em alguns momentos decisivos, momento que quero repetir. Não quero repetir aqueles erros, mas permitir a criar novos erros e saber que ando errando com eles e assim aprendendo novamente.
O que sabia hoje não funciona mais, o que perdi se perdeu e vai lá saber se realmente não foi bom perder pra ganhar. Posso ser uma mentira, posso ser uma verdade. Sou uma mentira pra sua verdade e sou minha verdade pra sua mentira. Não sei fazer diferente, acabo deixando que me conheças, que goste ou desaprove, que aponte.
Passado foi o nosso presente, e meu presente pode não ser meu futuro. Ainda incerto, ainda vago, ainda concreto. Apenas tenhas certezas que em certos momentos deixarei cada vez mais ser conhecida, mas isso não quer dizer que seja uma verdade. Ao menos que eu diga: as coisas estão mudando e eu estou tentando me adaptar ao desconhecido, ao novo, ao que posso me perder. Então estou pulando, saltando, me segure pra me ajudar ou tente comigo.